





Tem filme que dá vontade de pausar só para reparar no que está na tela. Para Clayver, criador de conteúdo e diretor criativo, a fotografia transforma cenas em imagens que a gente quer guardar — seja com o preto e branco marcante de O Conde, a paisagem tensa de Ataque dos Cães ou os cenários surreais de BARDO, Falsa Crônica de Algumas Verdades.

Clayver
Criador de conteúdo e diretor criativo
A convite do Tudum.com, ele reuniu dez obras do catálogo da Netflix e contou o que faz cada uma encher os olhos: o p&b tem lugar cativo na seleção, mas uma boa animação também o conquista. O que pontua, segundo Clayver, é como a luz, a textura e a composição ajudam a contar cada história.
A seguir, veja o top 10 dele em contagem regressiva e descubra qual filme leva o título de “fotografia mais absurda”.

Este filme é visualmente muito diferente de quase tudo nessa lista. O preto e branco é extremamente forte, as sombras são marcadas e tudo parece meio surreal. É como se cada cena tivesse sido criada para virar um pôster.

Eu sei que colocar aqui um Wes Anderson pode parecer previsível, mas olha isso. Tudo neste filme parece ter sido colocado exatamente onde deveria estar. As cores, os cenários, os personagens, os movimentos. É quase como assistir a uma ilustração ganhando vida.

Sim, é animação. E sim, entra. Porque fotografia não precisa ser só uma câmera filmando gente, hahaha! Este filme tem uma construção de luz, textura, profundidade e composição que dá vontade de colocar cada frame na parede. É absurdo.

Esse filme tem uma estética muito específica. Tudo parece frio, úmido e pesado. A fotografia faz você sentir o ambiente. Você olha para aquele cenário e já entende que ninguém ali está tendo um dia muito tranquilo.

Aqui, a fotografia praticamente coloca você dentro da história. Tudo é frio, sujo e pesado. A fumaça, a lama, o fogo e o céu criam uma imagem muito forte. Você sente que aquele lugar está sempre contra os personagens.

Esse é um daqueles filmes em que a paisagem também é personagem. Os espaços são enormes e os personagens parecem pequenos dentro deles. Tudo é muito bonito, mas existe uma tensão o tempo inteiro.

Acho muito legal como a neve vai mudando completamente durante o filme. No começo, você olha e pensa: “Nossa, que lugar lindo”. Depois você começa a olhar para aquele mesmo lugar e pensar: “Eu não quero estar aí de jeito nenhum”. E quando um filme consegue fazer você mudar completamente a forma como enxerga uma paisagem, leva ele para outro lugar.

Este aqui é um absurdo de simples e, justamente por isso, funciona muito. Basicamente, são dois personagens conversando em uma casa, mas a fotografia consegue transformar cada conversa em uma cena (deu para perceber que eu amo filme em preto e branco, né?). É um filme que mostra que você não precisa de um cenário gigante para criar imagens muito bonitas.

Bardo é um negócio completamente fora da curva. Tem umas cenas que você olha e pensa: “Não é possível que alguém realmente filmou isso”. É gigante, estranho, surreal e muito bonito. Parece que você está entrando na cabeça de alguém e vendo tudo o que existe lá dentro. Eu adoro quando um filme tem coragem de simplesmente ser muito, muito visual.

ROMA é uma daquelas obras em que você pode pausar praticamente em qualquer momento e encontrar uma imagem incrível. A composição, a luz, a profundidade, os movimentos de câmera e, principalmente, a forma como o filme usa os espaços são incríveis. E é exatamente isso que eu procuro quando penso em fotografia. Criar uma imagem que você olha e pensa: “Eu quero fazer isso”. Por isso, para mim, ROMA é o filme da Netflix com a fotografia mais absurda.





































